27.1.10

selva de pedra


Antes de ir embora eu disse: queria ficar aqui uma semana ou mais. Ele me olhou sorrindo e disse: pra quê?! E eu respondi frazindo a testa: para poder enjoar deste lugar. Eu nunca enjoo. Sempre passo dias intensos, sempre lembro do luar, da praia, dos passeios e das pessoas.

E agora, de volta à São Paulo, fico pensando se enjoaria mesmo ou se na verdade estou é tão acostumada com essa cidade cinza e sem vida que penso que jamais conseguiria morar em outro lugar onde não houvesse essa correria desenfreada que temos e essa urgência estúpida para tudo. Esse mal humor matinal que dura o dia todo e esse riso de desespero.

Isso tudo veio à mente quando acordei no Tietê na segunda à noite, peguei o metrô toda sonolenta e voltei para casa. Fiquei pensando nisso porque, em um momento, no meio do caminho, o trem parou e as luzes se apagaram. E daí já teve gente gritando, falando mal do sistema etc. Bastava esperar um pouco que tudo voltaria ao normal. Erros acontecem. Mas aqui, parece que não se pode errar muito.

Outra reflexão se deu ontem à noite, 20h35 quando nenhum ônibus passava na ponte da Sumaré para eu ir pra casa. O ponto lotado, o outro lado da avenida num trânsito infernal e cada vez mais, o caos se formando em todo canto da cidade. Estou quase me arrependendo de ter comprado o apartamento por aqui. A única coisa que vale é saber que ainda é possível ir para o paraíso e voltar. E saber que não precisarei usar o carro pra trabalhar.